quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Tururu

Tururu, cidade do interior do Ceará. Encontra-se próxima a Itapipoca.
Meu exex, ia ter aula prática de zootecnia, cadeira do curso de Veterinária. Eu tava num estado da minha vida, não muito diferente do de hoje em dia: Eu estava sem saber o que queria da vida. Sabia que não queria mais arquitetura, sabia que não queria mais veterinária. Meu exex me deu a sugestão de eu assistir a aula prática dele em Tururu de zootecnia, que qualquer coisa eu fazia vestibular pra Zootecnia.
Topei.
Ele falou com o professor e acertou tudo. Eu iria pra viagem com ele e o resto da turma de veterinária.
Era uma sexta-feira. Ele foi me buscar lá em casa e, pra variar um pouquinho, eu tinha me atrasado.
Quando chegamos lá, o professor dele que tinha me deixado ir pra viagem não estava lá, já estava na fazenda. Quando a professora, substituta dele, foi fazer a chamada dos alunos, viu que eu estava sobrando. E delicadamente, a medida que uma pessoa odiável pode ser delicada, ela falou:
-Ela não vai.
Putz! E agora?
Mas um amigo do exex estava de carro, pra minha sorte...talvez...
Bem, seguimos viagem. No caminho paramos pra pegar uma amiga. A amiga nos guiou diante de uma encruzilhada. Ela falou: "é por aqui!"
O amigo que tava dirigindo tentava entrar em contato com o ônibus da universidade, mas o sinal do celular não pegava.
Uma coisa muito chata começou a acontecer: uma vontade enorme de fazer xixi.
Poxa vida! Que chato! Pensei: vou aguentar, já tou bem grandinha!
A estrada era cheia de buracos, o que se tornava o dobro de desconfortável, já que eu tava 'intempi'! De longe avistamos um carro, provavelmente o ônibus. O sinal do celular ainda não aparecia. O amigo-motorista dirigia cada vez mais rápido pra ver se a gente alcançava o ônibus. Mas não era ele.
Na estrada só tinha a gente, um monte de buracos e matos, o carro desconhecido já tinha sumido.
Um vento frio entrava pela janela, eu tava impaciente. Tava imaginando como eu ia pedir para o amigo-motorista encostar o carro pra eu ir dá uma "voltinha no mato", se é que você me entende. Pra não me ajudar em nada,uma chuvinha começou a cair, e ela vinha bem no meu rosto.
Meu exex ficava contando piadas (muito sem graça) pra tentar animar a situação completamente desanimadora. Uma amiga resolveu comer tangirina...tangirina tem água, me ofereceu, regeitei-óbvio!
Nada de vida humana na estrada...
....
Uma pessoa!!! Uma menina na bicicleta!
amigo-motorista:você sabe se falta muito pra chegar em Tururu?
menina balança negativamente a cabeça, assustada como se nunca tivesse visto um ser humano na vida.
amigo-motorista: mas você sabe pelo menos se esse é o caminho?
menina agiu do mesmo jeito e saiu.
Continuamos seguindo. Encontramos então um casal caminhando. Um senhor de mochila nas costas e uma senhora. (Até hoje me pergunto pra onde aquele povo podia tá tentando ir se num existia nada ali!). O amigo-motorista fez novamente a pergunta.
O senhor com a mochila nas costas da um sorriso, olha na direção em oposta a que a gente tinha andado e diz:
-Tururu? Lá das bandas de Itapajé? (Confirmamos todos, muito felizes!) É láááááááá!
Nossa, nunca tinha visto um 'lá' tão longo!
Nesse momento minha bexiga se apertou num ato de indignação, quase faço ali no carro!
A gente já tinha andado durante mais de 30min. Ainda tinha que voltar no mesmo caminho sem nada! Nenhum banheiro!
A amiga-informante quase afunda no banco do carro quando descobriu que tava completamente errado o caminho.
Não havia outra coisa a fazer, se não voltar.
Imagina como eu estava! Quase eu choro, talvez chorando esvaziasse um pouco a bexiga.
Chegamos,enfim a dita encruzilhada. O amigo-motorista parou na rodoviária para perguntar ao guarda aonde era o caminho de Tururu. Ficamos no carro esperando. Então falei com o meu namorado, que tava querendo muuuuito usar o banheiro. Ele comentou com as amigas se haveria um banheiro e se elas sabiam onde era.
- Nossa, muita coragem usar banheiro de rodoviária. É a coisa mais imunda que existe. Num sei se é pior fazer nas calças ou usar o banheiro daqui.
Ele olhou pra mim como uma cara de quem diz:' ia aí? Tu tem coragem?!'
Eu não era amiga de ninguém ali. Fiquei morrendo de vergonha e resolvi resistir mais um pouco, já que eu havia esperado tanto.
Chega o amigo motorista. E vem falando:
-Ufffa que alívio! Tirei a água do joelho! Num tava mais aguentando.
Bem, você sabe muito bem, que quando a gente tá morrendo de vontade de fazer alguma coisa e chega uma pessoa dizendo que fez 'aquela coisa', a vontade aumenta mil vezes.
Eu naquele momento queria muito me lembrar como era está aliviada. Não sentiria inveja de mais nada no mundo. Só queria ter feito xixi ali também.
Seguimos viagem. Eu já estava com um mal-humor terrível. Não conseguia mais rir, porque parece que quando a gente rir espreme a barriga e força o que já tava altamente forçado.
O amigo-motorista tava doido pra parar num posto para abastecer o carro, já que havíamos andado quilômetros, num caminho errado!
Me deu uma felicidade enorme. Em postos de gasolina, normalmente há banheiros.
Eu, que havia passado o tempo todo calada falei toda feliz:
-olha lá, um posto!
Mas o bendito posto tava fechado! Pode parecer mentira, mas essas coisas acontecem quando você menos espera.
Andamos mas um bocadinho e, enfim, um posto de gasolina aberto. Paramos. Desci e fui pedir a chave do banheiro feminino. Se só tivesse masculino ia ser nele mesmo, eu já não tinha mais moral nenhuma pra preservar naquele momento.
Quando entrei no feminino só haviam mesas! Ai!!! Mas atrás tinha um vaso. Ufa! Me realizei!
Que felicidade! Posso lhe dizer: Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Apesar de não ter descarga lá! Foi o banheiro mais bendito que eu já vi!
Só nessas horas é que sabemos o valor das coisas.
Estávamos agora no caminho certo. Eu já estava falando com todo mundo, rindo, dando beijinho no namorado.
O resto da viagem foi praticamente normal. Exceto pela parte em que o policial colocou a cabeça dentro do carro, olhou pra todo mundo e perguntou: Estão indo pra onde? Vieram de onde?
Isso é lá pergunta que um guarda faça?!
Aff!
Vou dizer: antes de viajar vá ao banheiro!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O porque do blog.

Ontem, Domingo de férias, eu tava meio pra baixo, mas tive a oportunidade maravilhosa de conversar com um antigo amigo. Nossa, nunca imaginei que uma conversa de alguns minutos pudesse mudar tanta coisa em mim. Na verdade, talvez eu já estivesse com essa mudança querendo aflorar e não tinha tido aquela forcinha. De qualquer forma consegui abrir os olhos e ver as coisa de uma forma diferente.
Essa criatura mandada por Deus na hora certa, comentou sobre seu blog. Fiquei curiosa. A verdade é que nunca tinha lido blog algum. Achava que era uma coisa muito chata, onde pessoas de um nível intelectual muito alto e cuja cultura fosse altamente- altamente, escreviam coisas difíceis de serem entendidas, sendo, assim, algo muito chato de ler. Eu sei que foi ignorância minha. Mas deixei a curiosidade me guiar. Qual surpresa a minha!!! O blog desse rapaz é super interessante, ao ponto de eu passar a minha tarde toda, de segunda-feira, lendo e rindo dos conflitos diários vividos por ele.
Uma leitura tão tranquila e "chamadora" que o tempo foi passando e quando terminei de ler as várias postagens dele me senti um pouco só. Como quando se termina de ler um livro que você já estava apegado a cada personagem. Um vazio estranho.
Achei tão legal poder compartilhar acontecimentos inesquecíveis da vida.Resolvi preencher esse vazio, então, com o meu próprio blog.
Não sei até quando vai durar essa novidade da minha vida. Não sei se vou me revelar uma escritora, ou se vou desistir e esquecer que um dia eu tentei. De qualquer forma, o fato de eu está escrevendo nem necessita a leitura de alguém que não eu.Tou ecrevendo simplesmente pela necessidade que tou sentindo hoje em fazer algo diferente e significativo pra mim, o que é o bastante.